domingo, 18 de julho de 2010

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"Agradeço pela crítica mais severa apenas se ela permanecer imparcial."

"Agradeço ao destino por ter-me feito nascer pobre. A pobreza foi-me uma amiga benfazeja; ensinou-me o preço verdadeiro dos bens úteis à vida, que sem ela não teria conhecido. Evitando-me o peso do luxo, devotou-me à arte e à beleza."

"Agradeço imensamente sem esquecer o oportuno e benquisto gesto, o favor, o préstimo - a tábua de salvação me atirada. Não ousando discutir a qualidade da madeira daquela, gostaria contudo de não me sentir devedor de um barco inteiro quando me insinuam a lembrança."

"Mesmo que tivesse em minhas mãos todo o perfume das rosas, toda a beleza do céu, toda a pureza dos anjos, toda a inocência das crianças, toda a grandeza do mar, toda a força das ondas, mesmo que eu tivesse todas as coisas belas da vida e todos os belos lugares do mundo nada teria sentido se eu não tivesse o presente mais valioso, mais nobre e mais sagrado que Deus pode me dar... Sua amizade!!! Eu só tenho a agradecer por você existir em minha vida."

"Obrigado por terem enriquecido este dia de união com a felicidade da vossa presença.Aceitem os nossos agradecimentos pela vossa presença e pela maravilhosa oferta."

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ver Vendo...

De tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você ver todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.



Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta, se alguém lhe perguntar o que você  vê no caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia  de falecer.



Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve de morrer. Se um dia seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas não há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.



Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê. Há pai  que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.
                                                                                                




                                                                                                                                          De: Otto Lara Rezende
                                                                                                                                                                           In: Vista Cansada FSP 23/02/92
                                                                                                                                Colaboração de Paulo Sérgio Rodrigues ( APG/MBA T. fev/93 )